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Associação da Turma Barão de Teffé

Patrono e Marinha do Brasil

Nair de Teffé: filha do Barão de Teffé

Retrato em preto e branco de Nair de Teffé
Nair de Teffé, conhecida nas artes pelo pseudônimo Rian.

Filha do Barão de Teffé, Nair de Teffé von Hoonholtz nasceu no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1886. Tinha um ano e meio quando a família deixou o Brasil, em dezembro de 1887, devido à comissão que seu pai exerceria na Europa inicialmente por dois anos. Entretanto, os acontecimentos políticos decorrentes da Proclamação da República em 1889 acabariam por estender a permanência da família no estrangeiro por quase duas décadas. Assim, Nair passou o início da infância entre Paris, Bruxelas, Roma e Viena, e a adolescência basicamente na França.

Em 1894, quando seu pai já havia sido exonerado do cargo de Embaixador, a família fixou residência em Nice, na França, onde Nair, então com 8 anos, foi matriculada no convento da Assunção. Mais tarde, estudou desenho e pintura em Paris. Voltou ao Brasil no final de 1905 (ver nota abaixo), quando a família fixou residência em Petrópolis.

Arte e espírito crítico

Nair cantava, escrevia, atuava e desenhava. Assinava suas caricaturas como Rian, anagrama de seu primeiro nome. O Museu Histórico Nacional registra que seu primeiro trabalho publicado foi um retrato caricatural da atriz francesa Réjane, na revista Fon-Fon!, em 31 de julho de 1909. No ano seguinte, criou a seção “Galeria das Elegâncias” na mesma revista e publicou a “Galeria dos Smarts” na edição dominical da Gazeta de Notícias.

Foi a primeira mulher a se firmar como caricaturista no Brasil, num meio então ocupado quase exclusivamente por homens. Seus desenhos retratavam figuras políticas e sociais, com o traço crítico que a tornou conhecida.

O teatro também fazia parte de sua vida. Coelho Netto escreveu para ela a peça musical Miss Love, apresentada no Rio de Janeiro e em Petrópolis. Nair trabalhou com Leopoldo Fróes e criou a Troupe Rian, que encenava espetáculos beneficentes e ajudava a arrecadar recursos para obras sociais e para a construção da atual Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis.

Primeira-dama do Brasil

Recorte de imprensa intitulado “Manobras da Esquadra”: Nair de Teffé, de vestido claro e cabelo preso, em pé no cais do Arsenal de Marinha, cercada por homens de terno e chapéu e por oficiais de uniforme branco e escuro, com o casario do arsenal ao fundo
Recorte de imprensa da época: Nair de Teffé no Arsenal de Marinha, assistindo à partida do noivo, o Marechal-Presidente. A legenda original a trata por senhorita; a cena antecede o casamento de 8 de dezembro de 1913.

Em 8 de dezembro de 1913, Nair se casou com o presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca, tornando-se primeira-dama aos 27 anos. Levou música popular e teatro aos salões dos palácios do Catete e Rio Negro. Em maio de 1914, recebeu no Catete o poeta e violonista Catulo da Paixão Cearense para um sarau de modinhas, diante de figuras como o senador Pinheiro Machado e o crítico Oscar Guanabarino.

Em 26 de outubro de 1914, na recepção de despedida que o governo ofereceu ao corpo diplomático no Palácio do Catete, Nair pegou o violão e tocou Gaúcho, tango brasileiro que Chiquinha Gonzaga compusera para a opereta Zizinha Maxixe, de 1895, e que o público apelidou de Corta-jaca. Décadas mais tarde, Nair contaria que a partitura para violão e piano saíra das mãos da própria Chiquinha, a pedido de Catulo, embora as duas, ao que se sabe, nunca tenham se encontrado pessoalmente.

O escândalo foi duplo: o gênero passava por vulgar, e o violão, ligado à boemia das ruas, não tinha lugar em salão oficial. Rui Barbosa levou o caso à tribuna do Senado em 7 de novembro, em discurso veemente: adversário político de Hermes da Fonseca, o senador tratou a dança com desprezo e protestou contra o lugar de honra que ela recebera numa recepção oficial.

Depois do Catete

Com o fim do mandato presidencial, o casal deixou o Catete e voltou a viver em Petrópolis. Em 16 de fevereiro de 1915, a charrete em que Nair seguia com o pai para Correas se desgovernou e caiu num barranco; o acidente exigiu tratamento prolongado, e os médicos indicaram a Europa.

Nair partiu com o marido, e a biografia do Barão de Teffé registra que os pais foram também: todos se instalaram em Lausanne, onde ficava então o maior centro médico de ortopedia, e lá ficaram até 1921, atravessando na Suíça a Primeira Guerra Mundial. As fontes divergem sobre a partida: o Instituto Histórico de Petrópolis a data em 3 de agosto de 1916; a biógrafa do pai situa a viagem em fins de 1915.

Hermes da Fonseca morreu em Petrópolis, em 9 de setembro de 1923. Nair mandou construir para ele um túmulo no Cemitério Municipal de Petrópolis, encimado por uma coluna partida, e não voltou a se casar.

À frente da Academia Petropolitana de Letras

Em janeiro de 1928, Nair assumiu a presidência da então Associação de Ciências e Letras. Durante sua gestão, a entidade foi reorganizada e passou a chamar-se Academia Petropolitana de Letras, com o quadro social limitado a cinquenta associados. Nair permaneceu na presidência até 1932, reeleita quatro vezes.

A própria Academia registra que Nair provavelmente foi a primeira mulher a presidir uma Academia de Letras no Brasil.

Cine Rian

Nair de Teffé sentada, com uma das mãos apoiada no rosto, em retrato de 1941
Nair em 1941. Fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional. Domínio público.

Em 1932, Nair voltou ao Rio de Janeiro e passou a morar em Copacabana. Com a herança deixada pelo pai, falecido no ano anterior, comprou uma propriedade de frente para o mar na Avenida Atlântica, onde havia um palacete de dois andares. Ali idealizou a construção de um cinema, o famoso Cine Rian. A obra foi financiada com um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal. Todavia, dificuldades financeiras forçaram-na a vender o imóvel a Luiz Severiano Ribeiro, que manteve o nome Rian.

O Cine Rian abriu as portas em 28 de novembro de 1942, com o filme Aconteceu em Havana, com Carmen Miranda. Era uma grande sala de cinema na orla de Copacabana, com 1.130 lugares na inauguração.

Após um incêndio em 1975, o cinema foi recuperado e reabriu em 1977, mas encerrou suas atividades no final de 1983. Posteriormente, foi demolido, dando lugar a um apart-hotel, e, mais tarde, ao hotel Pestana Rio Atlântica.

Últimos anos

Nair de Teffé em 1970, ao lado de um piano, com uma mão apoiada no rosto e a outra estendida
Nair em 1970. Fundo Correio da Manhã, Arquivo Nacional. Domínio público.

Em 1974, aos 88 anos, Nair publicou A verdade sobre a Revolução de 22, livro de memórias voltado sobretudo à defesa da atuação política do marido e aos acontecimentos que levaram à prisão dele. A Academia promoveu o lançamento em Petrópolis, em 27 de fevereiro de 1975, e Nair passou a noite autografando exemplares.

Em nova visita a Petrópolis, em 1979, recebeu o título de Cidadã Petropolitana, por proposta do vereador Nilson Platt Filho.

Nair morreu em Niterói, em 10 de junho de 1981, no exato dia em que completou 95 anos. Foi sepultada junto ao marido, perto do túmulo de seu pai.

Para saber mais

Para conhecer mais sobre a vida e a obra, pode-se recorrer a Nair de Teffé: vidas cruzadas, do historiador Antônio Edmilson Martins Rodrigues (Editora FGV, 2002). As memórias da própria Nair estão em A verdade sobre a Revolução de 22 (Gráfica Portinho Cavalcanti, 1974), cuja segunda parte, “Meus traços enfocaram grandes personalidades”, reúne caricaturas dela. Já Nair de Teffé: símbolo de uma época, de Paulo César dos Santos (Petrópolis: Sermograf, 1983), guarda longos trechos da entrevista que ela concedeu ao autor em 1977, aos 91 anos.

Referências

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ACADEMIA PETROPOLITANA DE LETRAS. O início. Petrópolis, [s. d.]. Disponível em: Academia Petropolitana de Letras. Acesso em: 23 jul. 2026.

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BRASIL. Ministério da Cultura. Museu Histórico Nacional. Nair de Teffé. Rio de Janeiro, [s. d.]. Disponível em: Acervo Arquivístico do Museu Histórico Nacional. Acesso em: 23 jul. 2026.

BRASILIANA FOTOGRÁFICA. E a primeira-dama Nair de Teffé leva a música de Chiquinha Gonzaga para o Palácio do Catete, em 1914. Rio de Janeiro, 26 out. 2020. Disponível em: Brasiliana Fotográfica. Acesso em: 23 jul. 2026.

FONSECA, Nair de Teffé Hermes da. A verdade sobre a Revolução de 22. Rio de Janeiro: Gráfica Portinho Cavalcanti, 1974.

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RODRIGUES, Antonio Edmilson Martins. Tefé, Nair de. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, Fundação Getulio Vargas, [s. d.]. Disponível em: CPDOC/FGV. Acesso em: 5 out. 2026.

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WIKIPÉDIA. Nair de Teffé. [S. l.], 2026. Disponível em: Wikipédia. Acesso em: 23 jul. 2026.

Por João José Rodrigues de Souza, aluno 1004 no CN-1981

Escrito em 29/12/2003; última revisão em , com as referências atualizadas.