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Associação da Turma Barão de Teffé

Patrono e Marinha do Brasil

Passagem de Vênus pelo disco solar em 1882

Interior do pavilhão da equatorial do Barão de Teffé, na Ilha de São Tomás
Pavilhão da equatorial do Barão de Teffé no Observatório D. Pedro II, montado na Ilha de São Tomás em 1882.

Em 6 de dezembro de 1882, o Barão de Teffé chefiou uma das três comissões organizadas pelo Imperial Observatório do Rio de Janeiro para observar a passagem de Vênus pelo disco solar. Sua equipe instalou-se na Ilha de São Tomás, então possessão dinamarquesa nas Antilhas e hoje parte das Ilhas Virgens Americanas.

O trânsito ocorre quando Vênus passa entre a Terra e o Sol e pode ser visto daqui como um pequeno disco escuro cruzando a face solar. O fenômeno segue uma sequência de intervalos de aproximadamente 8, 121,5, 8 e 105,5 anos.

No século XIX, a observação simultânea do trânsito em pontos distantes permitia calcular a paralaxe solar e, a partir dela, estimar a distância entre a Terra e o Sol. Essa medida estabelecia a escala das distâncias no Sistema Solar. Desde 2012, a União Astronômica Internacional define a unidade astronômica como exatamente 149.597.870.700 metros.

O Imperial Observatório enviou comissões a Olinda, em Pernambuco, a Punta Arenas, no extremo sul da Patagônia, e à Ilha de São Tomás. A primeira foi chefiada por Julião de Oliveira Lacaille; a segunda, por Luís Cruls; e a terceira, pelo então Capitão-de-Mar-e-Guerra Antônio Luiz von Hoonholtz, Barão de Teffé. Em São Tomás, também participaram o Capitão-Tenente Francisco Calheiros da Graça e o Primeiro-Tenente Arthur Índio do Brasil e Silva.

Os cálculos do Imperial Observatório foram concluídos em 1887. O valor obtido pelas comissões brasileiras para a paralaxe solar foi de 8,808 segundos de arco, contribuição que aproximou a estimativa da distância Terra–Sol dos 149,6 milhões de quilômetros hoje adotados.

Os trânsitos de 2004 e 2012

Vênus como um pequeno disco escuro diante do Sol durante o trânsito de 2004
Trânsito de Vênus em 8 de junho de 2004.

Em 8 de junho de 2004, Vênus voltou a cruzar o disco solar. Para nós, integrantes da Turma Barão de Teffé, foi a oportunidade de acompanhar o mesmo fenômeno que marcou a carreira do nosso Patrono.

O segundo trânsito do par ocorreu em 5 e 6 de junho de 2012. Os próximos estão previstos para 11 de dezembro de 2117 e 8 de dezembro de 2125.

Referências

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Museu de Astronomia e Ciências Afins. Argentina e o Brasil na observação do trânsito de Vênus. Rio de Janeiro, 21 ago. 2018. Disponível em: MAST. Acesso em: 23 jul. 2026.

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Observatório Nacional. O Observatório Nacional: 190 anos — uma jornada no tempo e no espaço. Rio de Janeiro: Observatório Nacional, 2017. Disponível em: Observatório Nacional. Acesso em: 23 jul. 2026.

BRASIL. Ministério da Cultura. Fundação Biblioteca Nacional. Observatório D. Pedro II, Ilha de S. Thomaz, possessão dinamarqueza nas Antilhas: vista interior da parte de Oeste do grande pavilhão central contendo a equatorial do Barão de Teffé. Saint Thomas, 1882–1883. 1 fotografia. Disponível em: Brasiliana Fotográfica. Acesso em: 23 jul. 2026.

INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION. Resolution B2 on the re-definition of the astronomical unit of length. Beijing, 2012. Disponível em: IAU. Acesso em: 23 jul. 2026.

NATIONAL AERONAUTICS AND SPACE ADMINISTRATION. Goddard Space Flight Center. 2012 transit of Venus. Greenbelt, 2012. Disponível em: NASA Eclipse Web Site. Acesso em: 23 jul. 2026.

Por João José Rodrigues de Souza, aluno 1004 no CN-1981

Escrito em 29/12/2003; última revisão em , com as referências atualizadas.