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Associação da Turma Barão de Teffé

Patrono e Marinha do Brasil

Patrono da ATBT: Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, Barão de Teffé

Nascimento

Casarão da família Hoonholtz em Itaguaí, Rio de Janeiro
Casarão da família Hoonholtz em Itaguaí.

Antônio Luiz von Hoonholtz nasceu em 9 de maio de 1837, em Itaguaí, então província do Rio de Janeiro. Era o filho caçula de Frederico Guilherme von Hoonholtz (em alemão, Friedrich Wilhelm von Hoonholtz) e de Joana Cristina van Engel Alt (no original, Johanne Cristine van Engel Alt), que se conheceram a bordo do navio que os trouxe ao Brasil (TEFFÉ, 1977, p. 44). Frederico Guilherme era oficial e engenheiro prussiano, recrutado para servir a D. Pedro I: chegou ao Rio em setembro de 1825 com o batalhão de alemães que veio a formar o 27º Batalhão de Caçadores de 1ª Linha e combateu na Guerra da Cisplatina. Joana Cristina era holandesa, filha do médico alemão Pedro Alt, natural de Kreuznach, que se alistara em 1798 na Armada Batava, a marinha dos Países Baixos, e veio ao Brasil como cirurgião daquele mesmo batalhão (TEFFÉ, 1977, p. 39, 43, 47). Algumas obras atribuem ao pai o título de conde, mas a documentação nobiliárquica não confirma: ao registrar a filiação do Barão de Teffé, o Archivo Nobiliarchico Brasileiro nomeia-o sem título algum (VASCONCELLOS; VASCONCELLOS, 1918, p. 503). Frederico Guilherme morreu em 31 de dezembro de 1837, deixando Antônio Luiz, então com sete meses, e seus quatro irmãos.

Em casa, alguns dos filhos usavam apelidos: José Paulino era Juca; Frederico José, Fritz; e Antônio Luiz, Bubchen ou Nho-nhô (TEFFÉ, 1977, p. 55, 57, 70, 73).

Mais detalhes desse período estão no livro Barão de Teffé, militar e cientista: biografia do Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, de Tetrá de Teffé, casada com Álvaro de Teffé, um dos filhos do Barão.

Carreira na Marinha

Antônio Luiz von Hoonholtz ainda jovem
Antônio Luiz von Hoonholtz ainda jovem.

A escolha de um colégio para o caçula foi assunto de muita controvérsia na família. Os irmãos mais velhos, Carlos e Juca, defenderam que era chegada a hora de realizar o ideal de D. Joana Cristina: ter um filho na Marinha, sucessor do bisavô Almirante van Engel, já que os outros não tinham podido fazê-lo (TEFFÉ, 1977, p. 77). Juca assinou o requerimento de admissão à Academia de Marinha em janeiro de 1851, mas o pedido foi indeferido duas vezes por causa da idade: Antônio Luiz tinha treze anos e oito meses. Permitiram-lhe, porém, frequentar as aulas como ouvinte (TEFFÉ, 1977, p. 82). A admissão como Aspirante ocorreu no ano seguinte, conforme a cronologia abaixo.

Pelos Estatutos então em vigor, baixados com o Decreto nº 586, de 19 de fevereiro de 1849, a admissão dependia de idade, cidadania brasileira, certidão de bom procedimento, aptidão física e aprovação nos exames preparatórios, sem cláusula alguma de nobreza (art. 2º). O nascimento entrava apenas como desempate, e a favor dele: em igualdade de merecimento preferiam-se os filhos de oficiais da Armada e do Exército, “especialmente dos que morrerem, ou forem feridos em combate” (art. 3º). Foi nessa condição que a mãe obteve também a dispensa do internato, na petição em que se apresentou como viúva do Capitão Hoonholtz, “Oficial que se bateu valorosamente em Ituzaingó” (TEFFÉ, 1977, p. 83). Aqueles Estatutos, ainda recentes quando ele assentou praça, fixaram o curso em três anos, ao fim dos quais os Aspirantes aprovados eram promovidos a Guarda-Marinha (art. 4º); a reforma de 1858, pelo Decreto nº 2.163, é tratada na seção Fundador do Serviço Hidrográfico brasileiro.

Postos e principais comissões:

  • 1852–1854, Aspirante: assentou praça na Academia de Marinha em 18 de fevereiro de 1852, aos 14 anos. A formação incluía exercícios de manobra e velame na Corveta Cometa e uma viagem de instrução a Santa Catarina na Corveta Bahiana, ao fim do primeiro ano. Foi declarado Guarda-Marinha em 16 de novembro de 1854, aos 17 anos (TEFFÉ, 1977, p. 82, 86, 88–93).
  • 1854–1857, Guarda-Marinha: embarcou inicialmente no Vapor Viamão, em dezembro de 1854, na missão do Chefe-de-Esquadra Pedro Ferreira de Oliveira ao Paraguai. Em Montevidéu, foi transferido para o Vapor Camaquã, no qual recebeu a responsabilidade de comandar quartos durante a navegação fluvial (TEFFÉ, 1977, p. 97–104; VILLAR, 1942, p. 39). A missão não alcançou o acordo pretendido sobre navegação e limites, e as convenções assinadas em abril de 1855 não foram ratificadas pelo governo imperial (TEFFÉ, 1977, p. 116–117). Depois, serviu na Corveta Bahiana, “navio-chefe” (capitânea) da Divisão do Rio da Prata, e foi enviado pelo Chefe-de-Divisão Joaquim Raimundo de Lamare, futuro Visconde de Lamare, como correio diplomático à Bajada del Paraná. Regressou ao Rio no Vapor Jequitinhonha e fez cruzeiros no Brigue-Escuna Fidelidade, antes do exame prático na Corveta D. Isabel, no qual obteve o primeiro lugar com louvor. Serviu em seguida no Patacho Campista, como segundo oficial; a promoção da turma foi adiada por uma punição coletiva, apesar dos louvores aos examinados na Corveta D. Isabel (TEFFÉ, 1977, p. 117–132).
  • 1857–1860, Segundo-Tenente: promovido em 22 de setembro de 1857, aos 20 anos; recebeu a notícia quando estava embarcado no Brigue Maranhão (TEFFÉ, 1977, p. 132). Foi instrutor de Hidrografia e desenho dos Guardas-Marinha a partir de 1858, aos 21 anos, com viagem à Europa na Corveta Bahiana em 1859. Ao retornar, embarcou na Canhoneira Belmonte para realizar os levantamentos descritos na seção de Hidrografia (TEFFÉ, 1977, p. 133–138).
  • 1860–1867, Primeiro-Tenente: promovido em 2 de dezembro de 1860, aos 23 anos. Comandou o Patacho Ativa em 1862–1863 e assumiu interinamente o comando da Canhoneira mista Araguary, em 30 de setembro de 1863, sendo efetivado em 11 de janeiro de 1864. Em dezembro de 1864, recebeu a comissão de levantamento da Planta Geral da Costa do Império, mas pediu para interromper os trabalhos hidrográficos e seguir para a guerra. Partiu do Rio para o Prata com a canhoneira em 25 de fevereiro de 1865 (ARQUIVO NACIONAL, 2013, p. 20, 29, itens 52 e 90; TEFFÉ, 1977, p. 145–146, 158).
  • 1867–1869, Capitão-Tenente: promovido em 21 de janeiro de 1867, aos 29 anos. Foi designado primeiro comandante da Corveta Guanabara, posteriormente renomeada Corveta Vital de Oliveira, e recebeu a incumbência de traduzir o Código Comercial de Sinais Marítimos da edição francesa. Retornou à guerra, comandando a Corveta Niterói e depois o Encouraçado Bahia, até agosto de 1868 (TEFFÉ, 1977, p. 217–221, 235).
  • 1869, Capitão-de-Fragata: promovido em 2 de dezembro, aos 32 anos, diretamente de Capitão-Tenente, pois ainda não existia o posto de Capitão-de-Corveta.
  • 1878, Capitão-de-Mar-e-Guerra: promovido em 7 de dezembro.
  • 1883, Chefe-de-Divisão: promovido em 9 de julho, primeiro posto de oficial-general da época.
  • 1889, Contra-Almirante: passou a essa classe em 30 de dezembro, com a supressão do posto de Chefe-de-Divisão pelo Decreto nº 108-A, mudança do quadro de postos distinta de uma promoção individual.
  • 1891, Vice-Almirante (reformado): registrado nesse posto e situação em 23 de maio.
  • 1912, Almirante (reformado): promovido em 7 de dezembro.

As datas de praça, declaração e promoções, até Almirante reformado, são as da relação de carreira do Arquivo da Marinha (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha). Nessa relação, a declaração como Guarda-Marinha é de 16 de novembro de 1854, embora o resumo histórico da mesma ficha mencione 1853; adota-se a data detalhada da carreira. A mudança para Contra-Almirante é documentada pelo decreto de reorganização e pela nomeação diplomática transcrita por Tetrá de Teffé. A cronologia reúne postos e comissões. A campanha do Paraguai é detalhada abaixo; os trabalhos científicos, em Fundador do Serviço Hidrográfico brasileiro, e as missões europeias, em Vida no Exterior e período como Diplomata.

A passagem à reserva decorreu da nomeação diplomática, nos termos do Decreto nº 329, de 12 de abril de 1890. Os oficiais em tal situação abriam vagas na Armada, deixavam de receber soldo e contavam por metade o tempo de serviço. Ao saber que perdera seu lugar no quadro, Hoonholtz protestou ao Ministro Eduardo Wandenkolk e recebeu como resposta: “ninguém pode pertencer ao mesmo tempo a duas corporações” (TEFFÉ, 1977, p. 420).

Guerra do Paraguai: preparação e campanha (1864–1868):

Canhoneira Araguary
Canhoneira Araguary, comandada por Hoonholtz.

Seu envolvimento na guerra começou ainda em dezembro de 1864, quando soube, em Desterro, do apresamento do Vapor Marquês de Olinda. Embora tivesse acabado de receber a comissão de levantamento da Planta Geral da Costa do Império, pediu ao Quartel-General permissão para conduzir a Canhoneira Araguary ao Rio de Janeiro, completar sua artilharia e munições e seguir para o Prata. Foi nesse ofício que reivindicou seus “foros de oficial combatente”, frase reproduzida na placa da DHN abaixo (TEFFÉ, 1977, p. 145–146).

Placa com frase do Barão de Teffé na Diretoria de Hidrografia e Navegação
“Sou hidrógrafo em tempo de paz, mas em tempo de guerra reivindico meus fôros de oficial combatente [...]”. Placa afixada no interior da DHN. Abra a imagem para ampliar.

A Canhoneira Araguary, sob seu comando, incorporou-se à Força Naval do Chefe-de-Divisão Francisco Manoel Barroso da Silva no bloqueio do Rio Paraná. Hoonholtz participou do desembarque das tropas aliadas na retomada de Corrientes, em maio de 1865, seu batismo de fogo; combateu em Riachuelo, em 11 de junho, e nas passagens de Mercedes, em 18 de junho, e Cuevas, em 12 de agosto. Também deu caça ao Vapor paraguaio Piraquira, desencalhando-o e conduzindo-o à Esquadra Brasileira (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha). O combate de Riachuelo foi relatado por ele em carta à família publicada naquele ano (TEFFÉ, 1865).

Ao recordar Riachuelo em conversa com Tetrá, Hoonholtz afirmou: “eu era o comandante mais moço de toda a Esquadra”. Ele próprio associou sua juventude ao ardor e ao arrebatamento com que vivera a batalha (TEFFÉ, 1977, cap. XIV, p. 203, página final do capítulo).

A Guerra do Paraguai interrompeu os levantamentos da costa e exigiu o reconhecimento dos rios para as operações navais de apoio às forças terrestres. Em março de 1866, no teatro de operações da Guerra do Paraguai, o Vice-Almirante Tamandaré constituiu uma comissão hidrográfica, nomeando os Primeiros-Tenentes Arthur Silveira da Mota, futuro Barão de Jaceguai, Antônio Luiz von Hoonholtz e Manoel Ricardo da Cunha Couto. A comissão deveria estudar os canais e identificar o ponto de desembarque das tropas aliadas em território paraguaio, com apoio militar da Divisão comandada pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Cordeiro Torres e Alvim, futuro Barão de Iguatemi (FROTA, [s. d.]). Em Passo da Pátria, Hoonholtz participou das sondagens do Rio Paraná sob o fogo da artilharia do Forte de Itapirú. A ficha da Marinha registra sua participação no reconhecimento e exploração do canal em 21 de março de 1866 (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha). O despacho contemporâneo de Tamandaré também o inclui na comissão enviada a reconhecer os passos do Alto Paraná até Itaty (TAMANDARÉ, 1866).

Em setembro de 1866, participou do bombardeio de Curuzu (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha).

Devido às muitas avarias sofridas no bombardeio de Curupaiti, em 2 de fevereiro de 1867, a Canhoneira Araguary teve de voltar ao Rio de Janeiro para reparos, chegando em 9 de fevereiro (BRASIL, Marinha do Brasil, DPHDM, Araguari). Segundo Tetrá, Hoonholtz regressou naquele mês a bordo da Fragata Amazonas, na companhia de Tamandaré e Barroso, com a Araguary acompanhando a viagem (TEFFÉ, 1977, p. 217).

De volta ao Rio de Janeiro, e já promovido a Capitão-Tenente em janeiro de 1867, Hoonholtz foi designado o primeiro comandante da Corveta Guanabara, que seria incorporada à Armada em 29 de março daquele ano (BRASIL, Marinha do Brasil, DPHDM, Guanabara). Tetrá relata que, na Corte, visitou a família e a Princesa Isabel e deu parecer sobre um plano de operações do Conde d’Eu. Enquanto aguardava a prontificação da nova corveta, recebeu o encargo de concluir trabalhos hidrográficos, substituído depois pela tradução do Código Comercial de Sinais Marítimos da edição francesa (TEFFÉ, 1977, p. 218–220).

A ficha da Corveta Vital de Oliveira, nome que a Guanabara recebeu posteriormente, registra problemas nos exercícios de tiro: romperam-se as costuras do costado em diversos pontos, exigindo a substituição dos canhões por outros de menor calibre (BRASIL, Marinha do Brasil, DPHDM, Vital de Oliveira, p. 1).

Foi nessa estada na Corte que Hoonholtz conheceu sua futura esposa, como veremos na seção A Família. Casou-se em 28 de março de 1868 e, após um mês de licença de núpcias, recebeu ordem de assumir o comando da Corveta Niterói e seguir ao encontro da Esquadra, sem aguardar a prontificação da corveta para a qual fora designado. Hoonholtz chegou a Montevidéu em 11 de maio de 1868 (TEFFÉ, 1977, p. 220–221).

O Encouraçado Bahia, de baixo calado e adequado à navegação fluvial, estava sob o comando de Hoonholtz em julho de 1868: relatório de 26 de julho o identifica como comandante e recomenda elogios por sua atuação sob fogo inimigo (O Publicador, 2 set. 1868; SILVA, 2018, p. 23–27). Tetrá situa a assunção do comando em 30 de maio daquele ano (1977, p. 221). A ficha biográfica do Acervo Arquivístico da Marinha atribui a Hoonholtz operações do Encouraçado Bahia em 1867; o relatório contemporâneo confirma o comando em julho de 1868, mas não data a transferência (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha).

No comando do Bahia, forçou as baterias de Tebicuari em 24 de julho de 1868, rompendo a cadeia que obstruía o canal. Sua atuação recebeu elogio na Ordem do Dia nº 165, de 2 de agosto. Em 29 de agosto, participou ainda do reconhecimento e bombardeio que protegeu a entrada dos monitores no Tebicuari. Na mesma data, entregou o comando, com licença para regressar ao Rio de Janeiro. A Ordem do Dia nº 173 registrou seu zelo e atividade no comando e a coragem e o sangue-frio demonstrados em combate, conforme a guia de desembarque transcrita pela biógrafa (TEFFÉ, 1977, p. 229).

Em carta a Gastão Penalva, de 20 de julho de 1925, o próprio Barão atribuiu ao forçamento de Tebicuari sua segunda medalha do Mérito Militar e sua segunda promoção por atos de bravura. A carta é reproduzida por Tetrá de Teffé; não se consultou o ato original de promoção (TEFFÉ, 1977, p. 230).

Sua participação no teatro de operações teve duas etapas, separadas por um período de serviço na Corte, onde recebeu encargos hidrográficos e de tradução do Código Comercial de Sinais Marítimos (TEFFÉ, 1977, p. 217–221). Hoonholtz partiu de Humaitá em 30 de agosto de 1868, encerrando a segunda etapa da campanha. Ao chegar ao Rio de Janeiro, retomou os levantamentos da costa do Império (TEFFÉ, 1977, cap. XVII), tratados na próxima seção deste artigo.

Fundador do Serviço Hidrográfico brasileiro

No século XIX, grande parte do levantamento hidrográfico e da produção de cartas náuticas da costa brasileira era realizada por hidrógrafos estrangeiros, entre eles o Capitão-de-Fragata francês Amédée Ernest Barthélemy Mouchez, que mais tarde reconheceria os trabalhos de Hoonholtz. Muitas dessas cartas eram distribuídas por intermédio do Almirantado Britânico. Foi nesse cenário que se formou a primeira geração de oficiais brasileiros capazes de levantar e cartografar a própria costa.

Entre os pioneiros da Hidrografia brasileira, destaca-se Manoel Antônio Vital de Oliveira, considerado o Patrono da Hidrografia da Marinha pelo Decreto nº 77.070, de 21 de janeiro de 1976, e o seu nascimento, em 28 de setembro, é celebrado como o Dia do Hidrógrafo. Vital de Oliveira foi responsável pelo primeiro levantamento hidrográfico sistemático do litoral brasileiro, entre a foz do rio Mossoró e a do rio São Francisco. Ele era oito anos mais velho que Hoonholtz, e as trajetórias dos dois logo se cruzariam.

Hoonholtz teve contato muito cedo com a ciência da Hidrografia: como ajudante de ordens do Chefe-de-Divisão Joaquim Raimundo de Lamare, futuro Visconde de Lamare, o qual já havia realizado levantamentos hidrográficos na Lagoa dos Patos, em 1844, e na Baía de Guanabara, em 1847 (BARRETO, 1976, p. 9). Tetrá de Teffé registra que de Lamare elogiava os cálculos de longitude do jovem guarda-marinha. Essa convivência ajuda a compreender o interesse de Hoonholtz pela especialidade (TEFFÉ, 1977, p. 127, 141).

Em 1857, Hoonholtz executou “o levantamento hidrológico da baía de Guanabara”, um dos primeiros trabalhos do gênero realizados pela Marinha brasileira, segundo Robba (2024, p. 13). De Lamare defendia a implantação de um serviço nacional de Hidrografia, atividade que, mesmo depois da Independência, ainda era executada por missões estrangeiras de reconhecimento. Em 1862, como Ministro da Marinha, de Lamare promoveu a iniciativa de levantamento da Carta Geral da Costa do Brasil (BARRETO, 1976, p. 10–11).

Em 1858 veio a cátedra. O Decreto nº 2.163, de 1º de maio de 1858, que reorganizou a Academia de Marinha sob a denominação de Escola de Marinha, estendeu o curso para quatro anos e fez do último deles o “ensino a bordo de hum navio armado em guerra, e em viagem de longo curso”, com “trabalhos hydrographicos, e desenho respectivo” entre as matérias. Em 23 de novembro de 1858, com 21 anos, o então Segundo-Tenente Hoonholtz foi nomeado instrutor dessa cadeira, fato sem precedente na Armada para um oficial subalterno (ROBBA, 2024, p. 13, para a data; TEFFÉ, 1977, p. 133–134, para o ensino). Em janeiro de 1859 embarcou na Corveta Bahiana rumo à Europa, para ensinar Hidrografia e desenho aos Guardas-Marinha (TEFFÉ, 1977, p. 133).

Folha de rosto do Compendio de Hydrographia, de 1864, com o título em maiúsculas, a nota de aprovação pelo Conselho de Instrucção da Escola de Marinha e o nome do autor, Antonio Luiz von Hoonholtz, Primeiro-Tenente da Armada
Folha de rosto do Compendio de Hydrographia, Rio de Janeiro, Typographia Perseverança, 1864. Abra a imagem para ampliar.

Faltava o livro. Hoonholtz recorreu “ás melhores bibliothecas de Lisboa, Cherburgo e Brest” e nada colheu “além de alguns antigos annaes hydrographicos e o methodo de Beautemps-Beaupré, datado de 1811 e de tal modo laconico” que ainda no Rio de Janeiro já o julgara insuficiente. Escreveu então o seu, a bordo e para aqueles alunos: o Compendio de Hydrographia, o primeiro na língua portuguesa, cujo prefácio datou de Brest, em novembro de 1859. Aprovada e adotada pelo Conselho de Instrução da Escola de Marinha, a obra saiu impressa no Rio de Janeiro em 1864, quando o autor já era Primeiro-Tenente. É assim que a folha de rosto o identifica (TEFFÉ, 1864; TEFFÉ, 1977, cap. XIX).

Ao retornar da viagem de instrução, foi enviado na Canhoneira Belmonte para levantar a planta da Ilha de Inhatomirim. O trabalho lhe valeu um louvor do Governo Imperial e, em seguida, a incumbência de levantar a planta do canal de Santa Catarina (TEFFÉ, 1977, p. 133–138).

Em abril de 1861, Hoonholtz e Vital de Oliveira, ambos Primeiros-Tenentes, assinaram juntos o Plano do Porto das Torres, no Rio Grande do Sul, levantado sob a direção do Vice-Almirante Barão de Tamandaré (BIBLIOTECA NACIONAL, 1861).

Carta náutica manuscrita do Porto das Torres: a linha da costa com as três torres e a foz do rio Mampituba ao alto, o mar semeado de números de sondagem e uma rosa dos ventos de linhas radiais à direita
O Plano do Porto das Torres, levantado em abril de 1861 pelos Primeiros-Tenentes Vital de Oliveira e Hoonholtz, sob a direção do Barão de Tamandaré. Acervo da Biblioteca Nacional. Abra a imagem para ampliar.

A carta registra as sondagens em braças, a natureza do fundo em cada ponto e as coordenadas geográficas: o trabalho de campo dos oficiais brasileiros que começavam a cartografar a própria costa.

Entre 1862 e 1863, Hoonholtz realizou levantamentos no canal de Santa Catarina no comando do Patacho Ativa (ARQUIVO NACIONAL, 2013, p. 20, 29). Trabalhou também em outros pontos da costa sul, como Laguna e Porto Belo. A ilha era estratégica como base de apoio para ações no Rio da Prata (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha). Os levantamentos prosseguiram depois que assumiu o comando da Canhoneira Araguary (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha).

As cartas de Santa Catarina foram incorporadas por Mouchez ao Atlas da Costa do Brasil, dando projeção a Hoonholtz ainda como Primeiro-Tenente, antes do baronato e de sua atuação em Riachuelo. Em carta de 19 de janeiro de 1865, Mouchez elogiou o trabalho e aceitou a condição de só publicá-lo na França depois de sua publicação no Brasil. A correspondência documenta o reconhecimento do colega francês e o início de uma relação de respeito mútuo que duraria décadas (TEFFÉ, 1977, p. 140–141, cap. XIX).

A guerra do Paraguai também marcou o destino dos dois hidrógrafos que haviam trabalhado juntos no Porto das Torres, Hoonholtz e Vital de Oliveira, agora comandantes de navio, atuaram no bombardeio de Curupaiti, em 2 de fevereiro de 1867. Infelizmente, Vital de Oliveira teve sua vida ceifada a bordo do Encouraçado Silvado, aos 37 anos. No mesmo ano, Hoonholtz seria designado o primeiro comandante da Corveta Guanabara, mais tarde rebatizada em homenagem a Vital de Oliveira; é como Corveta Vital de Oliveira que a Marinha a registra.

Após a estada na Corte iniciada em 1867, Hoonholtz voltou à campanha do Paraguai em 1868. Essa segunda etapa terminou em agosto daquele ano: partiu de Humaitá em 30 de agosto e, ao chegar ao Rio de Janeiro, reassumiu a chefia da Comissão Hidrográfica para prosseguir o levantamento da costa do Império, conforme Tetrá relata na abertura do capítulo XVII (TEFFÉ, 1977).

Além dos levantamentos da costa, Hoonholtz realizou estudos para a melhoria dos portos de Santos, Antonina e Paranaguá, a pedido do Ministério da Agricultura. Em 1870, intercedeu junto ao Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas em favor da ferrovia de Antonina, episódio registrado na história dos portos do Paraná. O principal terminal do Porto de Antonina, no Paraná, leva hoje o nome Barão de Teffé.

Terminada a guerra do Paraguai, o então Capitão-de-Fragata Hoonholtz foi colocado à disposição do Ministério dos Negócios Estrangeiros em janeiro de 1871 e nomeado Chefe da Comissão de Limites com o Peru. Ao ser escolhido, ponderou com D. Pedro II sobre uma nova separação da família. O Imperador insistiu que precisava de um oficial que reunisse experiência de guerra, Hidrografia e Astronomia e prometeu-lhe uma comissão na Europa ao regressar (TEFFÉ, 1977, p. 340–341). Tal comissão só viria em 1887, como veremos adiante.

A mencionada Comissão mista de demarcação entre os dois países trabalhou em condições extremamente árduas na Amazônia e determinou a nascente do Rio Javari. A expedição regressou reduzida a 55 homens: ao todo, Hoonholtz perdeu cinquenta tripulantes, além de três ajudantes e do secretário da comissão (TEFFÉ, 1977, p. 255). Entre os mortos estava seu irmão mais velho, Carlos Guilherme von Hoonholtz, que integrava a expedição e morreu em seus braços na volta do Javari, em 1874, dois dias antes da chegada, provavelmente de beribéri. O episódio também foi narrado por Alfred Marc em Un explorateur brésilien. Hoonholtz também adoeceu gravemente na descida do Javari e chegou a Tabatinga tão debilitado que precisou ser levado a braços para terra (TEFFÉ, 1977, p. 257–258).

Os trabalhos da comissão tiveram consequência diplomática: o acordo assinado em Lima em 11 de fevereiro de 1874 aprovou a demarcação no Rio Içá ou Putumayo, registrada nas atas de julho de 1873, e ajustou a fronteira nesse trecho. Foi promulgado no Brasil pelo Decreto nº 6.034, de 20 de novembro de 1875.

Ao regressar da Amazônia, Hoonholtz reassumiu a chefia da Comissão Hidrográfica e defendeu sua transformação em repartição permanente, devido ao seu caráter transitório. Já em 1871, o Ministro Manuel Antônio Duarte de Azevedo reconhecia a importância da Hidrografia e o trabalho de Hoonholtz, mas advertia que o serviço não podia depender de um só oficial, com instalações acanhadas, verbas insuficientes e quase nenhum auxiliar (TEFFÉ, 1977, p. 281).

Finalmente, a Repartição Hidrográfica foi criada pelo Decreto nº 6.113, de 2 de fevereiro de 1876, e tinha como atribuição principal construir a carta geral das costas, portos, rios e lagoas navegáveis do Brasil. Hoonholtz foi seu primeiro Diretor-Geral, de 16 de fevereiro de 1876 a 7 de janeiro de 1890. A Repartição de Faróis havia sido criada poucos dias antes, em 26 de janeiro de 1876.

Principais comissões durante a direção da Repartição Hidrográfica (1876–1890):

  • 1877: foi encarregado, em 2 de maio, dos estudos do Porto de Antonina e iniciou a organização dos serviços de Meteorologia do Ministério da Marinha (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha; VILLAR, 1942, p. 43).
  • 1879: em 20 de junho, foi nomeado para a comissão de estudos sobre o acesso de grandes vapores ao Porto do Maranhão (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha).
  • 1880: nomeado em 20 de dezembro para a seção de história civil, eclesiástica e militar da comissão organizadora da primeira sessão de conferências de história e geografia do Brasil (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha).
  • 1882: chefiou a missão de observação da passagem de Vênus pelo disco solar na Ilha de São Tomás, detalhada a seguir (TEFFÉ, 1977, p. 306).
  • 1887–1888: iniciou a missão europeia descrita em Vida no Exterior e período como Diplomata. Em 1888, foi criada a Repartição Central Meteorológica (TEFFÉ, 1977, p. 341–343; MOURÃO, 2005, p. 5 da cópia digital).
  • 1889: eleito membro correspondente da Academia de Ciências da França, episódio tratado em Títulos. A fiscalização dos torpedeiros da Casa Thornycroft e os avisos de exoneração e retorno ao Brasil são detalhados na seção Vida no Exterior e período como Diplomata (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha; TEFFÉ, 1977, p. 405–410).
  • 1890: deixou formalmente a direção em 7 de janeiro, com a posse do sucessor (BRASIL, Marinha do Brasil, DHN, ex-diretores; TEFFÉ, 1977, p. 405–410).

Em 1891, a Repartição Hidrográfica, a Repartição de Faróis e a Repartição Central Meteorológica foram reunidas na Repartição da Carta Marítima, antecessora da atual DHN.

Interior do pavilhão da equatorial do Barão de Teffé, na Ilha de São Tomás
Pavilhão da equatorial do Barão de Teffé, montado na Ilha de São Tomás em 1882.

Entre as comissões desse período, a observação da passagem de Vênus pelo disco solar, em 6 de dezembro de 1882, deu projeção internacional à sua atuação científica. O convite veio por carta do Diretor do Imperial Observatório do Rio de Janeiro, o astrônomo belga Luís Cruls, e foi reiterado por D. Pedro II. Hoonholtz, então Capitão-de-Mar-e-Guerra, aceitou com certa relutância. Ficou convencionado que Cruls se estabeleceria em Punta Arenas e ele, na Ilha de São Tomás, então possessão dinamarquesa nas Antilhas (TEFFÉ, 1977, p. 306). Os resultados foram reunidos em um extenso relatório. Na França, Mouchez, oficial hidrógrafo, dirigia desde 1878 o Observatório de Paris, rompendo a tradição de diretores de formação astronômica. Era ele quem ocupava o cargo quando Teffé observou Vênus em 1882; os dois mantiveram contato, e Teffé o visitou em Paris em 1888. Já o diretor-geral dos trabalhos hidrográficos e astronômicos da Marinha francesa, função comparável à direção da DHN brasileira, era Bouquet de La Grye, que examinou os resultados de Teffé e o incentivou a candidatar-se à Academia de Ciências de Paris (MOURÃO, 2005, p. 2–3, 40–41 da cópia digital).

O conjunto das comissões e o que se media com o trânsito estão em Passagem de Vênus pelo disco solar em 1882.

Títulos

Retrato do Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, Barão de Teffé
Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, Barão de Teffé.

Pelo trabalho na Comissão de Limites entre o Império e o Peru, o então Capitão-de-Fragata Hoonholtz recebeu de D. Pedro II, em 11 de junho de 1873, o título de Barão de Teffé, concedido pelos serviços prestados nos rios Japurá e Içá. A data não era fortuita: 11 de junho é o dia da Batalha Naval do Riachuelo, em que ele comandara a Canhoneira Araguary oito anos antes (TEFFÉ, 1977, p. 409). Em 10 de março de 1883, o Imperador “houve por bem fazer mercê ao Barão de Teffé das Honras de Grandeza, pelos relevantes e distintos serviços que prestou à ciência nos trabalhos relativos à observação da passagem de Vênus pelo disco solar”, nos termos da Carta Imperial transcrita em sua Fé de Ofício (TEFFÉ, 1977, p. 313). A grandeza não era um título à parte, e sim a dignidade que o punha entre os Grandes do Império: inerente aos condes, marqueses e duques, ela podia ser concedida a barões e viscondes, e dava ao agraciado a coroa e as precedências do título imediatamente superior. Foi assim que a família registrou os dois atos, sob “títulos nobiliárquicos”: Barão de Teffé (11-06-1873) e Barão com Honras de Grandeza (10-03-1883).

Essas distinções reconheceram seus serviços ao país e à ciência: recebeu o baronato ainda como Capitão-de-Fragata, pelo trabalho na fronteira com o Peru, e as honras de grandeza como Capitão-de-Mar-e-Guerra, pelas observações de Vênus, antes de alcançar o primeiro posto de oficial-general.

Em 14 de março de 1886, Hoonholtz foi nomeado Veador da Imperatriz Teresa Cristina, esposa de D. Pedro II (BRASIL, Marinha do Brasil, Arquivo da Marinha). Era um cargo da Casa Imperial que exigia semanas de serviço no Paço, com pernoite, acompanhamento da Imperatriz ao teatro e às festas oficiais e cumprimento do cerimonial da Corte. Tetrá conta que ele soube da nomeação pelo Jornal do Comércio. Preocupado com o tempo que essas obrigações retirariam de seus trabalhos na Repartição Hidrográfica, ainda assim mandou preparar o uniforme e comunicou ao Mordomo que estava pronto para o serviço. A biógrafa descreve sua primeira semana no Paço e sua participação na vida cotidiana do palácio (TEFFÉ, 1977, cap. XXI, p. 316–317).

A partida para a Europa, em dezembro de 1887, não encerrou essas obrigações. Tetrá registra que, já no exterior, o cargo de Veador lhe impôs sete meses de visitas aos soberanos no Mediterrâneo e na Sabóia (TEFFÉ, 1977, p. 372).

Hoonholtz pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), do qual chegou a sócio benemérito: nessa condição, em 1912, o Conde de Afonso Celso, então presidente do Instituto, convidou-o a proferir uma conferência sobre a Batalha Naval do Riachuelo (TEFFÉ, 1977, p. 200).

Em 1889, quando era Chefe-de-Divisão e estava em missão na França, foi eleito membro correspondente da Academia de Ciências de Paris, na seção de Geografia e Navegação. Entre os candidatos estavam o Príncipe Soberano de Mônaco, Lord Brassey e os exploradores Brazza e Serpa Pinto. A votação final empatou entre Teffé e Serpa Pinto, exigindo sessão extraordinária para o desempate. Os jornais de Paris registraram que, com sua entrada, a América do Sul passava a estar representada no Instituto de França por dois nomes: o Imperador D. Pedro II e Teffé. Era a primeira vez, desde a criação da Marinha brasileira, que um oficial da Armada tinha assento ali. Tomou posse em 5 de maio de 1889, no Palácio Mazarino, conduzido ao salão por três membros da própria seção: os Almirantes Jurien de La Gravière, Bouquet de La Grye, e Mouchez (TEFFÉ, 1977, p. 386–389) - este último era o mesmo hidrógrafo que já havia reconhecido o talento do jovem Hoonholtz em Santa Catarina, vinte anos antes, e que agora estava ao seu lado na entrada da Academia.

Hoonholtz pertenceu, ainda, a diversas instituições científicas e culturais nacionais e estrangeiras, em várias delas com assento na direção. Foi vice-presidente da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (atual Sociedade Brasileira de Geografia) e do Instituto Politécnico, e integrou o Conselho Diretor da Sociedade de Imigração do Brasil e o da Sociedade Central de Imigração. Foi membro da Sociedade de Geografia Comercial de Paris, membro correspondente da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Academia de Ciências de Madri, e sócio da Trinity Historical Society, de Dallas, no Texas (TEFFÉ, 1977, relação de medalhas, condecorações, títulos e cargos, sem paginação). O Archivo nobiliarchico brasileiro acrescenta que presidiu a Sociedade de Geografia de Lisboa no Rio de Janeiro e a Liga Marítima (VASCONCELLOS, 1918, p. 503). São as duas academias, a de Paris e a de Madri, que a lápide do túmulo registra.

Condecorações

As honrarias recebidas por Teffé são numerosas demais para uma relação completa. Ao descrever o gabinete do Almirante, sua biógrafa registra “quantos documentos, quantos decretos, quantos mapas, quantas condecorações”, algumas delas “finíssimas peças de joalheria”, além de três espadas de honra, uma cravejada de brilhantes (TEFFÉ, 1977, p. 202). O próprio Teffé resumiu que o Governo o cumulou de recompensas, “desde as medalhas de guerra, as promoções militares, as condecorações, até a mais elevada categoria nobiliárquica de Grande do Império” (TEFFÉ, 1977, p. 388). As distinções nobiliárquicas estão em Títulos. Entre as ordens e medalhas, destacam-se:

  • Grã-Cruz e Dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro, em que subira de Cavaleiro a Oficial, e Dignitário da Imperial Ordem da Rosa;
  • Cavaleiro da Imperial Ordem de São Bento de Avis, por decreto de junho de 1870, ordem cuja Grã-Cruz viria a receber já sob a República;
  • Oficial da Ordem de Isabel, a Católica, da Espanha;
  • medalhas da Campanha Geral do Paraguai, da Batalha Naval do Riachuelo, do Mérito Militar, da tomada de Corrientes, das repúblicas Argentina e do Uruguai e de Bravura nº 3;
  • medalhas de ouro da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e da Exposição Universal de Paris.

Vida no Exterior e período como Diplomata

Teffé deixou o Rio de Janeiro em dezembro de 1887, como Diretor Geral da Repartição Hidrográfica, para visitar as repartições congêneres da Europa e entabular com elas a permuta de trabalhos. Por sugestão sua, juntou-se ao encargo o estudo dos navios de guerra das cinco grandes potências. O prazo inicial da comissão era de um ano, que acabou dilatado para dois (TEFFÉ, 1977, p. 341–343).

Além da missão oficial, a viagem tinha dois objetivos reservados. Segundo Tetrá de Teffé, militares e civis favoráveis a Isabel defendiam a abdicação de D. Pedro II em favor da filha como meio de preservar a monarquia. Como Veador da Imperatriz Teresa Cristina, Hoonholtz foi escolhido pelos isabelistas para buscar a adesão dela ao plano e, por seu intermédio, influenciar o Imperador. Ao aceitar a missão, recorreu à antiga promessa de uma comissão na Europa para obter a autorização da Regente. Isabel assumiu esse compromisso e lhe pediu uma carta reservada e sincera sobre o estado de saúde do pai. A biógrafa apresenta esse pedido separadamente do plano de abdicação (TEFFÉ, 1977, p. 339–343). Em Nice, Teffé apresentou a proposta à Imperatriz, que a rejeitou e declarou que o marido não abdicaria enquanto ela fosse viva (TEFFÉ, 1977, p. 359–360).

A ausência do país acabou por render problemas a Hoonholtz. Em junho de 1889, ao montar seu primeiro ministério, o Visconde de Ouro Preto escreveu na lista “Para Ministro da Marinha - Chefe-de-Divisão Barão de Teffé”; na manhã seguinte encontrou o nome riscado em favor do Barão de Ladário, desafeto público de Teffé há muitos anos, e ouviu de D. Pedro II: “Ladário está aqui e Teffé está na Europa divertindo-se. Chame o Ladário”. O primeiro ato do novo Ministro foi oferecer ao rival a Inspetoria do Arsenal da Corte, cargo que o punha sob suas ordens diretas e o tirava da Repartição Hidrográfica que já dirigia há treze anos. A resposta, de 9 de junho, dispensou rodeios: “Incompatível convosco não aceito cargo algum. Conheço vossos intuitos. Nada de subterfúgios. Prefiro demissão imediata”. A ruptura era pessoal: não com o Império, que ainda esperava salvar, mas com o Imperador e com o Ministro da Marinha (TEFFÉ, 1977, p. 399–401).

Um mês depois dessa carta, o Ministério de Ladário incumbiu-o de fiscalizar os três torpedeiros encomendados à Casa Thornycroft, na Inglaterra, com o modelo a seguir à risca rubricado pelo próprio Ministro: o francês Le Coureur, do mesmo estaleiro. Teffé foi vê-lo em Toulon, apurou pelo comandante que não passava de 18 milhas por hora contra as 25 do contrato e recusou-se a endossar o serviço e o suplemento de preço pedido pela Casa. Foi o pretexto: em outubro chegaram dois Avisos do Ministro, um exonerando-o da Repartição Hidrográfica, que só deixaria formalmente com a posse do sucessor, em 7 de janeiro de 1890, e outro mandando-o recolher-se ao Brasil “no mais curto prazo”. Ofendido, pediu demissão da Armada após trinta e sete anos de serviço e, em declaração pública, renunciou aos títulos e honras que recebera: voltaria a assinar “como antes de 1873 — Antônio Luiz von Hoonholtz”. A carta de demissão seguiu no vapor que deixou Bordeaux em 1º de novembro (TEFFÉ, 1977, p. 405–410).

A carta ainda navegava quando o regime caiu. Em 15 de novembro de 1889, após a Proclamação da República, Ladário resistiu à ordem de prisão e foi baleado, mas sobreviveu, e a pasta passou ao Chefe-de-Divisão Eduardo Wandenkolk. A notícia chegou a Paris naquela noite, em telegrama que ainda dava Ladário por morto. As duas cópias que Teffé tirara dos documentos, uma remetida ao Rio de Janeiro e outra entregue ao Ministro do Brasil na França, voltaram rasgadas ao meio: os depositários leram a queda do Império como o fim do motivo da renúncia, e a demissão nunca produziu efeito. Em 17 de novembro, Wandenkolk telegrafou a Hoonholtz com uma pergunta de Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório: continuava o Almirante pronto como sempre a servir o Brasil? Teffé respondeu que o Marechal podia dispor de seus serviços; como preferia permanecer na Europa, o Generalíssimo “queria vê-lo brilhar em outro setor” e o indicou para a Legação na Bélgica (TEFFÉ, 1977, p. 410–416).

Em 6 de março de 1890, Deodoro assinou o decreto de nomeação do já Contra-Almirante Hoonholtz como Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário na Bélgica, Itália e Áustria (TEFFÉ, 1977, p. 420); a categoria de Ministro de 1ª classe (Embaixador) só viria em 31 de dezembro daquele ano (relatório do Ministério das Relações Exteriores de 1891, p. 179). Removido para a Itália em 18 de julho de 1891 (TEFFÉ, 1977, p. 424), serviu depois em Viena, onde um telegrama o surpreendeu em 13 de dezembro de 1893, no auge da Revolta da Armada: estava exonerado do Corpo Diplomático. Bastava ser Almirante para cair na lista dos suspeitos, ainda que estivesse há seis anos fora do Brasil. Pediu que se formulasse a acusação, para poder defender-se, e obteve por despacho que “o cargo de ministro é de confiança e confiança não se discute” (TEFFÉ, 1977, p. 434). Contestou assim mesmo, e foi o caso dele que fixou a doutrina em despacho oficial: demissão não motivada significa falta da confiança política inerente ao cargo (17 de abril de 1895, no relatório de 1896 do mesmo Ministério, p. 13).

A exoneração deixou-lhe apenas o soldo de Vice-Almirante reformado, insuficiente para sustentar a família na Europa sem recursos próprios (TEFFÉ, 1977, p. 343, 444). Preferiu permanecer em Nice, em exílio voluntário, até que as paixões políticas se aplacassem. Chamava a cidade de estufa da Europa, em francês couveuse, pelo clima ameno. Planejou escrever as Memórias, mas não realizou o projeto. Quando Prudente de Morais lhe escreveu em 4 de maio de 1894, comunicando sua eleição, nada pleiteou para si (TEFFÉ, 1977, p. 435–436).

Da comissão de um ano, dilatada para dois, saíram sete anos em atividade, como oficial de Marinha, cientista e diplomata, e treze em Nice: duas décadas de ausência, nas contas da biógrafa. Só regressou em 1907, quando, em seu resumo, “deixara o Brasil na casa dos cincoenta anos de idade, regressa na dos setenta” (TEFFÉ, 1977, p. 437, 439). Não ficou na Capital: escolheu a serra e instalou-se em Petrópolis.

A Família

Em 1867, durante a Guerra do Paraguai, Hoonholtz voltou ao Rio de Janeiro para os reparos da Canhoneira Araguary. Recém-promovido a Capitão-Tenente, foi designado comandante da Corveta Guanabara, depois chamada Vital de Oliveira, ainda em prontificação, como relatado em Carreira na Marinha. Durante essa permanência na Corte, numa festa no Cassino Fluminense, conheceu Maria Luisa Dodsworth, jovem da alta sociedade carioca, filha do imigrante inglês George John Dodsworth e de Maria Leocádia do Nascimento Lobo. Ele tinha trinta anos e ela, vinte. Foi amor à primeira vista. Casaram-se em 28 de março de 1868, e o Ministro da Marinha concedeu ao noivo um mês de licença para a lua de mel. Ao fim da licença, recebeu ordem de retornar à guerra no comando da Corveta Niterói, sem aguardar a prontificação do navio para o qual fora designado (TEFFÉ, 1977, p. 220–221).

O casal teve quatro filhos: Oscar de Teffé von Hoonholtz, embaixador do Brasil; Otávio de Teffé von Hoonholtz, diplomata e escritor; Álvaro de Teffé von Hoonholtz, oficial do registro de títulos no Rio de Janeiro; e Nair de Teffé von Hoonholtz, que se casou em 8 de dezembro de 1913 com o Marechal Hermes da Fonseca, presidente da República de 1910 a 1914.

Aquarela do Villino Nair: casa térrea de fachada clara, com janelas em arco, gradil branco rendilhado e árvores na calçada da Rua Silva Jardim, em Petrópolis
O Villino Nair, na Rua Silva Jardim, em Petrópolis, em aquarela de Edgar L. Pattison. Estampa colorida de The Beautiful Rio de Janeiro, de frente para a página 190 (BELL, 1914). Abra a imagem para ampliar.

A família morava no Villino Nair, na Rua Silva Jardim. O nome vinha da filha caçula, e o Almirante datava por ele o que escrevia em Petrópolis: “Petropolis, 9 de Maio de 1910. Villino Nair - Rua Silva Jardim” encerra as recordações que assinou no dia em que completou 73 anos (TEFFÉ, [1910?], p. 157). O número da casa, 143, vem de um requerimento de 1913, em que pediu licença à Câmara para pôr um toldo na fachada; o registro está transcrito pelo Instituto Histórico de Petrópolis. A casa não existe mais: na consulta de 27 de julho de 2026, o Google Maps mostrava um edifício de apartamentos no nº 143.

O Barão de Teffé viveu os últimos anos em Petrópolis, entre livros e papéis, na companhia de amigos e familiares. Faleceu em 7 de fevereiro de 1931, aos 93 anos. Sua esposa, a Baronesa Maria Luiza Dodsworth von Hoonholtz, morreu na residência da família em 6 de novembro de 1934; o Instituto Histórico de Petrópolis a registra como “uma das figuras mais queridas e respeitadas da sociedade petropolitana”.

Lápide do túmulo do Barão de Teffé, em Petrópolis, com contraste e nitidez restaurados digitalmente
Lápide no Cemitério Municipal de Petrópolis. Restauração digital com IA. Ver original.

ALMIRANTE BARÃO DE TEFFÉ
Aqui jaz o bravo Comandante da gentil canhoneira Araguary - ANTÔNIO LUIZ VON HOONHOLTZ - mais tarde Grande do Império e Senador da República Ministro Plenipotenciário e membro das academias de sciencias de Pariz e de Madrid Fallecido no dia 7 de fevereiro de 1931 aos 93 annos de edade na cidade de Petrópolis

O Literato e Político

Retrato do Barão de Teffé
Barão de Teffé.

Antônio Luiz von Hoonholtz também se dedicou à literatura. Entre seus trabalhos estão A corveta Diana (romance marítimo, 1873); a carta de 22 de junho de 1865 ao irmão Frederico José von Hoonholtz, importante relato familiar da Batalha Naval do Riachuelo; Diário, sobre suas experiências na Amazônia; Justiça de Deus (drama naval, 1877); e Em terra e no mar (romance teatralizado, 1912).

Em 1909, o Deputado Graccho Cardoso apresentou projeto para considerá-lo reformado no posto de Almirante, elevando o soldo de 600$000 para 1:000$000 mensais. A Comissão de Marinha e Guerra apoiou a medida, mas o relator das Finanças, Homero Batista, recomendou rejeitá-la por economia. Teffé não reagiu. Em 1912, o projeto voltou à discussão; Serzedelo Corrêa foi o relator nas Finanças e Félix Pacheco apresentou voto favorável, lembrando: “não foi com títulos militares que transpôs as portas da Academia de Ciências de Paris”. A comissão aprovou esse voto em 18 de setembro, vencido Homero Batista (TEFFÉ, 1977, p. 444–446). A promoção a Almirante reformado veio em 7 de dezembro, como consta da síntese da carreira.

Teffé também atuou na política. Foi Senador pelo Amazonas de 1913 a 1915, no final do governo do Marechal Hermes da Fonseca.

Pouco depois do fim do mandato, em fins de 1915, o Almirante e a Baronesa voltaram à Europa para acompanhar a filha Nair, gravemente acidentada. Foram todos residir em Lausanne, onde ficava então o maior centro médico de ortopedia, e lá ficaram até 1921 (TEFFÉ, 1977, p. 447). É da correspondência trocada nesses anos com o filho Álvaro que Tetrá de Teffé tirou os alicerces de vários capítulos da biografia.

Homenagens da Marinha do Brasil

Navio de Apoio Oceanográfico H-42 Barão de Teffé em navegação
Navio de Apoio Oceanográfico H-42 Barão de Teffé.

A Marinha do Brasil incorporou o antigo navio polar dinamarquês Thala Dan em setembro de 1982 e o denominou Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) Barão de Teffé, indicativo visual H-42. Subordinado à Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), o navio participou das primeiras operações do Programa Antártico Brasileiro e realizou doze Operações Antárticas entre dezembro de 1982 e abril de 1994. Em maio de 1994, foi reclassificado como Navio Faroleiro e continuou em comissões de apoio logístico e à sinalização náutica até sua baixa, em 24 de julho de 2002.

O nome do Patrono batiza ainda o prêmio “Barão de Teffé”, concedido pelo Centro de Instrução e Adestramento Almirante Radler de Aquino (CIAARA) à praça concluinte do Curso de Aperfeiçoamento em Hidrografia e Navegação (C-Ap-HN) que obtém a maior média na área de Hidrografia, como registra a relação de prêmios escolares dos Anais Hidrográficos. O prêmio correspondente no Curso de Aperfeiçoamento de Hidrografia para Oficiais (CAHO) tem o nome de “Vital de Oliveira”, entregue na formatura do curso.

O Nosso Patrono

Barão de Teffé com um grupo de escoteiros em Petrópolis
Barão de Teffé com escoteiros em Petrópolis. Acervo do SDM.

As primeiras Turmas do Colégio Naval adotavam o nome do primeiro colocado, de algum integrante falecido ou de termos do alfabeto fonético naval da época, como “Dedo” (CN-54), “Elmo” (CN-55) e “Face” (CN-56). A partir de 1957, as turmas passaram a homenagear fatos e personalidades da História do Brasil, embora algumas associações tenham adotado o nome de um colega falecido como homenagem póstuma.

Quando estávamos no terceiro ano do Colégio Naval, em 1983, precisávamos definir o Patrono da Turma e começamos a pesquisar personagens importantes da História do Brasil. No verão de 1982–1983, a Marinha havia iniciado sua participação no Programa Antártico Brasileiro. O primeiro navio polar da Força, batizado Barão de Teffé, era motivo de grande orgulho. Sua trajetória está em Homenagens da Marinha do Brasil.

Consultamos o nosso saudoso professor de História Guilherme de Andréa Frota, pesquisador e autor de livros e artigos sobre o Brasil Império, e ficamos convencidos da escolha. Assim, o Barão de Teffé se tornou Patrono da Turma de formandos do Colégio Naval de 1983, denominada Turma Barão de Teffé. A biografia resumida do Barão foi publicada na revista A Fragata, nº 32, de 1983, p. 72–74, em artigo escrito pelo então Oficial-Aluno 3009, Alexandre Rabello de Faria, atualmente no posto de Almirante-de-Esquadra.

Mais de quatro décadas depois daquela escolha, seguimos com orgulho carregando o seu nome. Viva o Barão de Teffé!

Curiosidade: mais tarde, descobrimos que a turma que ingressou no Colégio Naval em 1965, na Escola Naval em 1967 e foi declarada Guarda-Marinha em 1970 também havia recebido o nome Turma Barão de Teffé. Sua associação, porém, adotou o nome Associação da Turma Ricardo de Moraes (ATRM), em homenagem ao colega falecido que fora Comandante-Aluno (“01”) no Colégio Naval e na Escola Naval. Pertencem a essa turma os Almirantes-de-Esquadra Wiemer e Max, o Vice-Almirante Lawrence e o Capitão-de-Mar-e-Guerra De Paula. Os dois últimos foram Comandantes de Companhia no Colégio Naval na época da nossa Turma, de 1981 a 1983. E 1965, ano em que aquela turma ingressou, foi também o ano em que nasceu a maior parte dos integrantes da nossa CN-81, a segunda Turma Barão de Teffé.

Referências

Priorizam-se os documentos contemporâneos e as fichas da Marinha. A biografia de Tetrá de Teffé (1977), escrita a partir do arquivo pessoal do Almirante e de documentos de família, complementa essas fontes, e divergências não resolvidas são indicadas no texto.

ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Fundo Ministério da Guerra (OG): instrumento provisório dos documentos cartográficos. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2013. p. 20, 29, itens BR AN,RIO OG.0.MAP.52 e BR AN,RIO OG.0.MAP.90. Descrições das plantas hidrográficas de Santa Catarina levantadas em 1862 e 1863, que identificam Hoonholtz como Primeiro-Tenente e comandante do Patacho Ativa. Consultou-se o catálogo, não os mapas originais. Disponível em: Arquivo Nacional. Acesso em: 30 set. 2026.

BARRETO, Mário Rodrigues. The Centenary of the Brazilian Hydrographic Service. The International Hydrographic Review, Monaco, v. LIII, n. 1, p. 9–20, jan. 1976. Disponível em: International Hydrographic Review. Acesso em: 3 out. 2026.

BELL, Alured Gray. The beautiful Rio de Janeiro. London: William Heinemann, 1914. Estampa colorida “‘Villino Naïr’, Residence of Admiral Baron de Teffé von Hoonholtz, Petropolis”, aquarela assinada por Edgar L. Pattison, de frente para a p. 190, arrolada na List of coloured illustrations, p. xii. Disponível em: Internet Archive. Acesso em: 27 jul. 2026.

BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Divisão de Cartografia. Plano do Porto das Torres levantado sob a direcção do Ilmo. Exmo. Snr. Conselheiro de Guerra Vice-Almirante Barão de Tamandaré em abril de 1861 pelos primeiros tenentes M. A. Vital de Oliveira e A. L. Hoonholtz. Rio de Janeiro, 1861. 1 carta manuscrita, cart249895. Disponível em: Biblioteca Digital Luso-Brasileira. Acesso em: 13 ago. 2026.

BRASIL. Decreto nº 586, de 19 de fevereiro de 1849 Transfere para terra a Academia da Marinha, e dá os Estatutos, que nella se devem observar. Disponível em: Câmara dos Deputados. Acesso em: 26 jul. 2026.

BRASIL. Decreto nº 2.163, de 1º de maio de 1858. Reorganisa a Academia de Marinha, sob a denominação de Escola de Marinha. Rio de Janeiro, 1858. Disponível em: Senado Federal. Acesso em: 26 jul. 2026.

BRASIL. Decreto nº 108-A, de 30 de dezembro de 1889. Reorganiza o quadro de oficiais da Armada. Rio de Janeiro: Câmara dos Deputados, 1889. Disponível em: Câmara dos Deputados. Acesso em: 23 jul. 2026.

BRASIL. Decreto nº 329, de 12 de abril de 1890. Menciona outros casos em que os officiaes de corpo da Armada e classes annexas devem passar para a reserva. Rio de Janeiro: Câmara dos Deputados, 1890. Disponível em: Câmara dos Deputados. Acesso em: 27 jul. 2026.

BRASIL. Decreto nº 6.034, de 20 de novembro de 1875. Promulga o accôrdo sobre cessão mutua de territorios, celebrado entre o Brazil e a Republica do Perú em 11 de Fevereiro de 1874. Rio de Janeiro: Câmara dos Deputados, 1875. Disponível em: Câmara dos Deputados. Acesso em: 30 set. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Arquivo da Marinha. Teffé, Antonio Luiz Von Hoonholtz, Barão de. Rio de Janeiro, [s. d.]. Relação de carreira adotada para as datas de praça, declaração e promoções; o resumo histórico menciona Guarda-Marinha em 1853, em divergência com 16 de novembro de 1854 na relação detalhada. Não registra Contra-Almirante nem a data da passagem à reserva. Para as operações do Encouraçado Bahia, a divergência entre 1867 na ficha e o comando documentado em 1868 é exposta no texto. Consultada a cópia local Acervo Arquivistico da Marinha - Barao de Teffe.md, arquivada em 26 jul. 2026. Disponível em: Acervo Arquivístico da Marinha. Acesso em: 26 jul. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria de Hidrografia e Navegação. Diretoria de Hidrografia e Navegação realiza formatura do Curso de Aperfeiçoamento de Hidrografia para Oficiais. Niterói, 9 jan. 2020. Disponível em: DHN. Acesso em: 24 jul. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria de Hidrografia e Navegação. Ex-diretores. Niterói, 2 dez. 2025. Disponível em: DHN. Acesso em: 22 jul. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Araguari: Canhoneira, 1858–1878. Rio de Janeiro, [s. d.]. Disponível em: DPHDM. Acesso em: 30 set. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Barão de Teffé: Navio de Apoio Oceanográfico/Navio Faroleiro, 1982–2002. Rio de Janeiro, [s. d.]. Disponível em: DPHDM. Acesso em: 22 jul. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Guanabara: Corveta, 1867. Rio de Janeiro, [s. d.]. Disponível em: DPHDM. Acesso em: 30 set. 2026.

BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Vital de Oliveira: Corveta, 1867–1883. Rio de Janeiro, [s. d.]. Registra que a corveta foi lançada ao mar em 21 de março de 1867, teve como comandante o Capitão-Tenente Antônio Luiz von Hoonholtz, chamou-se inicialmente Guanabara e recebeu depois o nome do Capitão-de-Fragata Manuel Antônio Vital de Oliveira, morto a bordo do Encouraçado Silvado no bombardeio de Curupaiti em 2 de fevereiro de 1867. Disponível em: DPHDM. Acesso em: 13 ago. 2026.

CHILLÓN, Alberto Martín. O Gênio do Brasil e as Musas: um manifesto ideológico numa nação em construção. 19&20, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, jan./jun. 2014. Discute o Cassino Fluminense como espaço de sociabilidade da elite carioca em meados do século XIX. Disponível em: 19&20. Acesso em: 30 set. 2026.

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TEFFÉ, Antônio Luiz von Hoonholtz, Barão de. A batalha naval do Riachuelo: contada á família em carta íntima poucos dias depois d’esse feito. Rio de Janeiro: Livraria Garnier Irmãos, 1865. Relato de Hoonholtz, então comandante da Canhoneira Araguary, publicado pouco depois da batalha. Disponível em: Biblioteca Digital do Senado Federal. Acesso em: 30 set. 2026.

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Por João José Rodrigues de Souza, aluno 1004 no CN-1981

Escrito em 29/12/2003; última revisão em , com as referências atualizadas.